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Capítulo 17- Romance Luiz e Luica

23 de setembro - 23h26

Capítulo 17-

 

" As únicas pessoas que ainda frequentavam minha casa eram minha mãe e Alceu, que a tudo assistiam indignados, mas ainda sem saber o que comigo acontecia. Luiz Antonio se mostrava cauteloso, embora por vezes me chamava atenção, atitude essa que piorava muito mais meu estado emocional.

Me perguntava o que eu estava usando e por qual motivo os meus braços viviam cheios de esparadrapos e band-aids. Respondía-lhe que sentía-me fraca e por isso havia tomado algumas injeções de vitamina. De vaidosa que era, passei a não mais me cuidar, emagrecendo e com a fisionomia bastante cansada e envelhecida.

Luiz Antonio percebia meu olhar parado, minha boca seca, sempre tomando refrigerantes ácidos, mas comentário algum fazia. Deve ter demonstrado sua preocupação e alguns comentários comigo, mas confesso que nem liguei.

Não suportando mais, nos poucos momentos de lucidez, pensava numa maneira de poder sair daquele terrível estado em que me encontrava. Resolvi buscar ajuda em um padre. Vigário de uma paróquia próxima à nossa casa, no bairro de Moema, em SP. Para que tivesse coragem de falar sobre os meus problemas, fui dopada. Ele me ouviu e prometendo ajuda disse-me que passaria a frequentar nossa casa.

Se foi uma ou duas vezes, e sempre a meu pedido, na ausência de meu marido, foi muito. Fazia citações bíblicas das quais eu nada queria saber. Talvez tenha sentido medo do peso de uma responsabilidade, e embora tivesse tentado me aconselhar, nunca mais voltou.

Chegou até a participar de alguns aniversários da família.

O que eu queria realmente não eram conselhos, mas sim atitudes que pudessem me ajudar e alguém que pudesse me ouvir, porque meu negócio era falar.

Decidi então que deveria contar ao meu marido toda a verdade, pedindo-lhe sua colaboração, valendo-me de sua compreensão.

Fiz isso durante uma almoço de sábado. Todo viciado tem uma incrível força. Força não física, nem mental, mas que vem de dentro de si, com uma vontade intensa de se curar. Esta força é demonstrada quando cria coragem e ao estender suas mãos a alguém, dizendo-lhe: por favor , preciso de sua ajuda, quero sair disto.

Luiz Antonio me ouviu, prometeu ficar ao meu lado , a me ajudar naquilo que fosse preciso.

O primeiro passo a ser tomado, foi me encaminhar a um psiquiatra. Como não desejava me internar, sendo o tratamento domiciliar e não hospitalar, além das sessões de análise, o mesmo me receitou um remédio, o qual deveria tomar 3 comprimidos ao dia. Eu contrariava suas ordens, pois ao invés de tomar 3, tomava 10, mais as drogas.

A situação piorava. Passei a não mais sair do quarto, não permitindo sequer que abrissem as janelas para que um raio de luz solar entrasse. Esquecí-me totalmente dos meus filhos, marido e meu lar, o qual estava sujo e bagunçado.

INABEL tentava fazer alguma coisa , mas sem orientação alguma, pouco poderia fazer.

Luiz Antonio passou a ser o pai, a mãe, o dono da casa, além de suas funções profissionais. De manhã, antes de ir ao trabalho, alimentava Luizinho com a mamadeira que ele mesmo preparava, trocava-o, e ao sair levava INABEL ao colégio. Deixava-me trancada a chave porque durante este período totalmente alucinada, tivesse tentado por algumas vezes fugir de casa.

Ao voltar na hora do almoço, trazia INABEL de volta e uma marmita de uma pensão que ele arrumou, a fim de que pudesse se alimentar e aos nossos filhos também.

A mim não interessava comer, embora ele insistisse.

Não me preocupava se meus filhos haviam se alimentado ou tinham o que vestir.

Minha mãe sempre que podia me chamava a atenção, cuidava nos finais de semana de toda a sujeira acumulada de nossa casa. Fazia uma comida mais substanciosa a todos, pois percebia que estavam magros e abatidos. "

 

Continua nos próximos dias...

 

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