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Capítulo 30- Romance Luiz e Luica

22 de outubro - 23h55

Capítulo 30-

 

Agora eu, INABEL, continuo o romance, pois minha mãe interrompeu a escrita, quando eu ainda tinha 18 anos.

 

Como eu queria fazer medicina, tentei por inúmeras vezes e por dois anos entrar na faculdade de medicina e não consegui. Era muito difícil e senti que isso foi um grande baque para minha mãe e meu pai.

Minha mãe estava bem, apesar de sua perda visual, meu pai trabalhando em SP, morávamos em Santos e ele subia e descia a serra todos os dias , era muito cansativo.

Como Luizinho, em Santos, não estava se adaptando nas escolas, meus pais resolveram mudar para São Paulo e aí sim ele poderia frequentar aquela escola com educadoras tão competentes, a Escola Novo Esquema.

Mudamos então para Sampa , para o bairro de Moema e como eu  não conseguia entrar em Medicina, entrei nas outras opções que havia colocado: psicologia na OSEC e METODISTA, e Biomédicas em São José do Rio Preto.

Optei pela psicologia na Metodista, que fica em São Bernardo do Campo.

Como meu pai havia gasto muito com o tratamento de saúde de minha mãe e Luizinho, resolvi começar a trabalhar meio período, mesmo meus pais se opondo, para ajudar a pagar minha faculdade.

Meu primeiro emprego foi na Loja Arigatô, no Shopping Ibirapuera, uma loja de artigos importados.

Trabalhava meio período pois já estava cursando Psicologia e ia de ônibus fretado à Universidade.

Trabalhei por 6 meses lá, até que consegui uma vaga como recepcionista, fazia as matrículas no cursinho OBJETIVO, matriz localizado na Av. Paulista.

Fiquei também por um período de 6 meses , agregando experiência e meu pai conseguiu, por meio de um amigo do antigo Banco e Comércio de Minas Gerais, um emprego para mim, no Banco Nacional. Sempre com um bom aumento salarial.

Adorava trabalhar no banco , em três meses de banco fui promovida à assistente da gerência e em um ano, promovida à sub-gerente.

Nossa vida transcorria muito bem e feliz.

Como eu estava muito cansada e não estava conciliando o trabalho no banco e a faculdade de Psicologia, após três anos cursados, resolvi trancar a matrícula e optar a me dedicar ao banco.

No decorrer dos anos , eu já estava com 20 anos, e brincando um pouco, humor negro, rsrsrs, se tragédia pouca fosse bobagem, minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama.

Novo golpe duro da vida, um baque muito grande, depois de tudo que minha mãe havia passado, vinha mais essa .

Será um carma de vidas passadas ? Quanto sofrimento ! Uma mulher de apenas 41 anos com um tumor enorme no seio. Há 35 anos atrás não havia tanta informação como hoje sobre prevenção do câncer de mama.

Meu pai, coitado, mais uma batalha a vencer.

Luizinho cada ano que passava , melhorava e progredia na escola. Estava com 11 anos.

Eu não aceitava a doença da minha mãe, fugia, saía do trabalho e ia para barzinhos com os amigos do banco. Não aguentava chegar em casa e ver minha mãe naquele estado.

Hoje me arrependo que não acompanhei a minha mãe como deveria fazer uma boa filha.

Chegou a época da cirurgia, tirou o seio esquerdo,mastectomizada lateralmete e naquela época também não se reconstruía o seio na hora da cirurgia. Portanto, eu achava que minha mãe estava mutilada e eu não queria enxergar a realidade. Fugia dela todos os dias. Era terrível.

Começaram os tratamentos com radioterapia, quimioterapia; tratamento duro, minha mãe vomitava, passava muito mal. Devido à retirada total também das glândulas axilares do lado esquerdo, seu braço esquerdo vivia inchado.

E o mais terrível aconteceu, que não sai da minha memória; minha mãe ao entrar no chuveiro para tomar banho, me chama aos gritos, sendo que seu cabelo havia caído no chão totalmente e ficando completamente careca.

Meu chão abriu, não sabia o que fazer, as duas choravam ao mesmo tempo. Era um dos terríveis efeitos colaterais do tratamento.

Tentei consolar minha mãe naquele momento, meu pai estava trabalhando, mas eu mesma não tinha forças para suportar aquele problema. Os problemas anteriores que haviam acontecido, eu os superei , mas o câncer de mama da minha mãe, eu não aceitava.

Eu , ao mesmo tempo que tinha pena da minha mãe, tinha vergonha, revolta de tudo que estava acontecendo.

E me refugiava no trabalho, no banco e nos amigos.

Meu pai, mais uma vez, demonstrou seu grande amor, acompanhando minha mãe em todos os tratamentos e consultas, tentando conciliar seu trabalho.

Meu Deus, até hoje me questiono, como eles tinham uma sintonia e um amor de verdade. Será realmente um amor de vidas passadas ? 

Mamãe , frágil, com sua carequinha, para sair usava uma peruca, que na época, não existiam perucas tão perfeitas assim.

Mas, com toda sua resiliência , fazia todo o tratamento que lhe era imposto.

Aceitava mais uma vez a SUA realidade.

 

Continua nos próximos dias...

 

 

 

 

 

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